...Dezoito horas. Hora do ângelus.
O dia termina colorido de um intenso vermelho, que logo desembocará na escuridão da noite. É o crepúsculo que se instala. À mesa, broa de milho quentinha, manteiga de leite lavada em água da bica, café fresco – como só os amigos têm direito, queijo-de-minas tirado da forma naquela hora e uma boa dose de fome de conversa.
A gente senta para comer. Digno é o trabalhador do seu alimento. A roupa encardida de suor e encorpada da labuta é trocada pelas vestes da noite - pijama de flanelinha macia, chinelo velho que já sabe todos os caminhos, e um clima de saudade no ar.
Come-se sem pressa. Hoje, nada mais há para se fazer. A contemplação e o deleite se instalam. É tempo de conversa e refeição. À medida que se satisfaz o corpo, a prosa satisfaz a alma. O final do dia é momento de reflexão, de preguiça vadia, de amizade. É hora de não se afobar, é momento de prazer. “Isto é o meu corpo e o meu sangue, dados por amor de vós”.
Não sei se foi assim. Mas, se Jesus fosse mineiro, teria sido nessa situação que ele haveria de despedir-se dos amigos...
Rubem Alves (por Márcio Duran)
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Deus de graça e terremotos
“Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus.” (Romanos 8:19)
A primeira pergunta que vem à mente da maioria das pessoas quando alguma tragédia de dimensões fatoriais acontece é: “Onde está Deus nisso tudo?” E a resposta para essa pergunta, por vezes, fica engasgada. Exemplo não muito distante foram os recentes acontecimentos no Haiti.
Questionar a bondade de Deus em situações nas quais os seres humanos se lembram de sua vulnerabilidade diante da grandeza da criação é um prato cheio pra quem busca subterfúgios capazes de justificar uma falta de fé, de esperança. Talvez essa selvagem busca por uma resposta inteligível à razão dificulte um pouco o trabalho de quem anda na contramão, reconhecendo sua pequenez diante de um Deus tão grandioso, capaz de permitir tamanha tragédia, mais capaz ainda de amar como nenhum pai antes amou...
Essa aparente contradição, no entanto, revela uma verdade que vai além da nossa noção maniqueísta de “bom” e “mau”: Deus é Soberano sobre todas as coisas e nada acontece sem que Ele esteja no controle. É como na constatação de Davi no Salmo 19:
“Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.”
Disso podemos ter uma certeza: nada acontece sem que a Soberania de Deus seja por ele exercida. Não se pode admitir um Deus que tem poder de dizer “haja luz” e que ao mesmo tempo seja incapaz de trocar uma lâmpada. Não é razoável acreditar num Deus que fez o mar e tudo o que nele há, mas que não tenha poder de dizer às ondas: “acalmem-se”. Sim, pode parecer contraditório pensar que Deus permita esse tipo de coisa, afinal, ele nos ama e nos quer bem; porém, há algo além da visão de um Deus justiceiro, que retribui os humanos pelos seus pecados e desatinos.
Graça. Essa palavra, tão banalizada pelo uso cotidiano, tão profanada pela visão pelagiana de merecimento, pela valorização do “faça você mesmo” é a chave para o conhecimento de quem Deus é e do que ele fez por nós. É essa graça que faz com que um pai receba com festa aquele filho que o desonrou. É essa graça que faz com que Cristo nos substitua em nossa morte e, quanto mais, em nossa vida. É essa graça que está ao lado dos haitianos não só agora, como em toda a história. É essa graça que fez com que ele tivesse misericórdia de um menino que ficou preso nos destroços durante oito dias e, ao sair, levantou os braços e abriu um largo sorriso para comemorar sua sobrevivência. É pela graça que o Criador chora - como nenhum de nós, negligentes que somos – a destruição desse povo.
Ao olhar para tamanha mobilização e compaixão coletiva numa ocasião dessas, fico a me perguntar: “será que Deus, assim como nós, também só lembrou do povo haitiano no mês passado?” Ou será que os seres humanos, incluídos aí ateus e cristãos, provam mais uma vez um caráter hipócrita inato? Achamos fácil ter pena de um povo destruído depois de uma tragédia, mas nunca movemos uma palha para que a situação do Haiti, reconhecidamente um país devastado pelo caos social, tivesse esperança. O jargão criado pela imprensa internacional nos últimos dias expressa bem o que quero dizer: “hope for Haiti now”. Em português, “esperança para o Haiti agora”. Realmente só nos lembramos do Haiti agora, mas o Deus de graça amou esse povo muito antes da nossa compaixão hipócrita, muito antes do terremoto.
Em desolação tamanha, fica bem conveniente aos cristãos assumirem um discurso como o de Pat Robertson, que declarou serem os terremotos um “castigo de Deus ao Haiti, por ter feito pacto com o diabo para se livrar da dominação francesa.” Tal afirmação é conveniente, pois encobre uma falha, uma omissão, que impediu que o povo haitiano conhecesse o amor de Cristo, refletido em condições de vida decentes. Nesse sentido, o comentário de Bráulia Ribeiro, evangelista brasileira, caiu como uma luva: “a maior maldição do povo haitiano não é o terremoto em si, mas sim a falta de preparo para lidar com uma tragédia desse porte.” Onde, então, estavam os cristãos, que sabiam a tempos da situação do povo haitiano e não deram o suporte necessário a eles? Gasta-se milhões em espetáculos “gospel”, em aviões particulares de pastores, em “super” templos, equipados com o que há de melhor. Líderes cristãos ostentando e vivendo como verdadeiros príncipes se afastam completamente do caráter de Jesus, que deixou como um dos principais legados um estilo de vida que tinha como essência o serviço.
Onde está Deus nisso tudo? Está reclinado em nossos ombros, esperando nossas orações pelos aflitos. Está de pé, arrumado, na porta da sala, esperando levantarmos dos nossos sofás em um rompante para fazer algo. Está lá embaixo, esperando que saiamos do alto da nossa comodidade. Está aqui, dentro de nós, esperando a nossa atitude que mostre um pouco Dele pra essa gente. Podemos ver seu amor em todo lugar, até nos terremotos...
"I see you in the storm, I see you in a kiss
I’ve been around the world and never found a love like this"
“Te vejo numa tempestade, te vejo em um beijo
Já estive pelo mundo todo e nunca achei um amor como esse”
(Delirious?)
I’ve been around the world and never found a love like this"
“Te vejo numa tempestade, te vejo em um beijo
Já estive pelo mundo todo e nunca achei um amor como esse”
(Delirious?)
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
2010
dez são os mandamentos
dez é o número do craque
dez é a nota máxima
dez é a contagem regressiva
dez é a hora do sono das crianças
dez são os dedos das mãos [e dos pés também]
dez mais dez são vinte
"10" é o número que fica atrás da barra pelos próximos 300 e poucos dias...
Mas o meu desejo é só um: Que Deus habite nos nossos corações, trazendo esperança na eternidade todos os dias, seja em 10, 11, 12, 13, 14...
dez é o número do craque
dez é a nota máxima
dez é a contagem regressiva
dez é a hora do sono das crianças
dez são os dedos das mãos [e dos pés também]
dez mais dez são vinte
"10" é o número que fica atrás da barra pelos próximos 300 e poucos dias...
Mas o meu desejo é só um: Que Deus habite nos nossos corações, trazendo esperança na eternidade todos os dias, seja em 10, 11, 12, 13, 14...
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Dia desses...
Dia desses escrevi uma poesia... Ela é assim:
Devaneio de menino
Era um menino "magricela"
Queria um castelo e
Mil barcos construir
Fez um pedido bem singelo:
"Papai do céu, anota
O meu sonho é esse ai"
Os seus amigos na escola
Zombavam do seu sonho
Diziam pra esquecer
Mas o menino acreditava
Que um dia o seu pedido
Iria receber
Devaneios são reais
Pra quem planta fé
Das ilhotas aos pontais
Há quem acredite assim
Eis que o menino foi crescendo
Não tinha mais vontade
De castelos construir
Mas desse sonho de criança
Ficou a esperança
Valores pra guardar
Fez uma casa muito linda
A título de herança
Dos filhos por criar
Não se afastou de sua infância
Papai do céu ficou,
No coração veio morar
Devaneio de menino
Era um menino "magricela"
Queria um castelo e
Mil barcos construir
Fez um pedido bem singelo:
"Papai do céu, anota
O meu sonho é esse ai"
Os seus amigos na escola
Zombavam do seu sonho
Diziam pra esquecer
Mas o menino acreditava
Que um dia o seu pedido
Iria receber
Devaneios são reais
Pra quem planta fé
Das ilhotas aos pontais
Há quem acredite assim
Eis que o menino foi crescendo
Não tinha mais vontade
De castelos construir
Mas desse sonho de criança
Ficou a esperança
Valores pra guardar
Fez uma casa muito linda
A título de herança
Dos filhos por criar
Não se afastou de sua infância
Papai do céu ficou,
No coração veio morar
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Ventura - Switchfoot: Learning to Breathe [[CC]]
Essa música me faz lembrar de alguém que eu não sei quem é... Já aconteceu com vocês?
domingo, 11 de outubro de 2009
Perspectivas...
Esperança.
(Pode ser que seja só uma palavra. Mas pode ser também que eu esteja aos prantos por lembrar que essa palavra tem um sentido tão profundo.)
(Pode ser que seja só uma palavra. Mas pode ser também que eu esteja aos prantos por lembrar que essa palavra tem um sentido tão profundo.)
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Blog do interlúdio
Olá, caros (poucos) leitores!
queria apenas deixar aqui o endereço do blog da minha banda, Interlúdio
www.interludiomusic.blogspot.com
Em breve, teremos um material bem legal disponível pra download lá...
Abraço a todos!
queria apenas deixar aqui o endereço do blog da minha banda, Interlúdio
www.interludiomusic.blogspot.com
Em breve, teremos um material bem legal disponível pra download lá...
Abraço a todos!
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Os abomináveis homens da cidade
Somos homens. Somos bestas. Somos luzes no escuro. Somos casca e conteúdo. Somos o escuro iluminado. Somos a recompensa de quem nos aguarda e a desventura de quem nos evita. O mistério a ser desvendado e o mais previsível dos enigmas. Somos pó. Mas somos como abrigo. Somos cromossomo invertido. Somos, como somos, amigos alheios, inimigos de nós mesmos. Inimigo invisível, que se disfarça de comparsa. Somos olhos, mas somos cegos. Somos vistos, contemplados; vazios e completados. Somos um paradoxo; um paradoxo compreendido. Somos homens. Homens amados. Redimidos. Somos abomináveis. Somos abomináveis homens. Abomináveis homens da cidade; orgulho e vergonha da posteridade.
Mas, sobretudo, somos amados. Fomos amados
Mas, sobretudo, somos amados. Fomos amados
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
World Science Festival 2009: Bobby McFerrin Demonstrates the Power of the Pentatonic Scale
Isso é impressionante...
Los hermanos - Conversa de botas batidas
Pra quem não sabe de que música eu estava falando no post anterior, está ai essa linda poesia: "Conversa de botas batidas". O verso citado encontra-se ao final da música; vale a pena esperar por ele
; )
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